Encontro Internacional Engênero III

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Encontro Internacional Engênero III: Saber, Violência e Ação: A Universidade construindo ou reforçando (pré) conceitos? (Enviado por Karla Caser)

O LEG (Laboratório de Estudos de Gênero, Poder e Violência), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) promove seu ENCONTRO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DE GÊNERO (ENGENERO III), 2018, com o tema: “Saber, Violência, Ação: a universidade reforçando ou desconstruindo (pré) conceitos? ”.

 O evento, a ser realizado na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, congregará uma equipe multi e transdisciplinar, que expande oportunidades aos profissionais e estudantes através de integração de países da América Latina e Europa.

 A credibilidade da organização, da inovação e do respeito aos congressistas, são marcas dos eventos Engenero I (2014) e Engenero II (2016), confirmadas pelos mais de 1000 participantes.

 As conferencistas e docentes são de alto nível e, durante o período de 06, 07 e 08 de novembro de 2018, proporcionarão momentos de reflexão, aprendizagem, discussões sobre políticas de relações e identidades de gênero, violências, populações negras, indígenas e migrações nos currículos e na vivência acadêmica das universidades brasileiras e estrangeiras.

 Vitória é uma cidade que tem acumulado títulos e prêmios por adotar medidas que visam ao bem-estar coletivo e, por isso se destaca no Brasil como a 3ª melhor capital do País para se viver. A Cidade Sol e de Céu Sempre Azul, recebeu do Ministério do Turismo a classificação “A” entre as cidades brasileiras com maior potencial turístico.

 Venha participar com os profissionais de vários países que estarão presentes no evento.

 Mais informações no site:  http://legpv.ufes.br/

 Inscrições no link: http://legpv.ufes.br/inscricoes

 Redes sociais:

 Intagram: https://www.instagram.com/engenero3/

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Seminário Internacional Equidade de Gênero no Setor Público

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Em 11 e 12 de Junho, aconteceu em Brasílian (DF), na Escola Nacional de Administração Pública, o Seminário Internacional Equidade de Gênero: Representação Política das Mulheres. Organizado pelo Programa Diálogos Nórdicos, Brasil e América Latina. Apoiado pela ONU Mulheres, Programa Eurosocial + Clacso e Flacso.

De acordo com o site ONU Mulheres, o objetivo do evento foi debater sobre “a equidade de gênero nas políticas públicas, as dificuldades para a implementação de medidas para a sua promoção e desafios para o seu alcance numa perspectiva internacional (…)”

Foi uma programação densa, concentrada neste dia e meio de apresentações e discussões sobre a presença, o papel e as possibilidades de atuação das mulheres em lugares públicos de decisão, ou posições públicas de poder.

Participei como ouvinte, representando o Termo de Cooperação Técnica entre a Universidade Presbiteriana Mackenzie e o Instituto Brasiliana (projetomackenziebrasiliana), interessada principalmente em trazer para nossa equipe abordagens que nos permitam pensar modos de articulação e contribuição dos raciocínios do projeto de arquitetura e urbanismo para as pautas políticas brasileiras, tendo em vista a participação das mulheres.

Um dos aspectos que mais chamam a atenção neste e em outros eventos que discutem a posição e o papel das mulheres nos âmbitos públicos, está a constatação de que…

… as políticas públicas são sempre mais eficientes quando levam em conta as diferenças entre mulheres e homens!

Isso é o que mostram, reiteradamente, números, estatísticas e indicadores de avaliação de impacto de políticas públicas ao redor do mundo.

Neste contexto, dentre os pontos que valem a pena destacar deste interessantíssimo evento, estão (deixo os mais otimistas para o final!):

Três pontos gerais:

1.) Uma representação feminina pequena em cargos políticos em um país é sintoma de uma democracia enfraquecida;

2.) A representação significativa das mulheres em cargos políticos, induz a mudanças efetivas nos caminhos políticos do país;

3.) Quando um grupo ultrapassa o teto de vidro, ajuda outros grupos a ultrapassarem também;

Três alertas:

1.) As mulheres que chegam a ocupar cargos políticos são mais frequente e intensamente vítimas de expressões de crítica desqualificadora (comentar as roupas, o cabelo, etc.. da candidata ou representante política) e violência (física e verbal) provindos da mídia e redes sociais e em locais públicos;

2.) Quando finalmente eleitas, as mulheres são mais direcionadas a pastas e comissões de cultura, família, educação e saúde, e menos a finanças, negócios internacionais…

3.) As mulheres em cargos políticos são frequentemente excluídas dos círculos decisórios nos vários âmbitos de governo;

Três motivos para ser otimista:

De acordo com Jacira Melo, Diretora Executiva do Instituto Patrícia Galvão, a análise de dados fornecidos pelo Ibope permite constatar que:

1.) As mulheres decidem os resultados das eleições – são elas as maiores influenciadoras de seus círculos próximos na decisão sobre em quem votar;

2.) Mulheres votam em mulheres sim – ainda que as candidatas precisem ter candidaturas bem estruturadas, o que é um desafio maior para elas do que pare eles;

3.) As mulheres sabem com precisão identificar os problemas de suas comunidades e são interessadas em engajar-se em processos de solução deles. O problema é identificado na fraca atuação dos representantes políticos, após sua eleição;

Em uma breve síntese, a promoção deste Seminário significou um impulsionar de ânimos às mulheres para que continuem interessando-se, e participando cada vez da vida e da cena política no país. O posicionamento e participação política fortalecem a cidadania.

Ao citar Saskia Sassen, a Vice-Diretora da Flacso Uruguai, Ana Gabriela Fernández, lembra que a realidade da cidadania não é vivida no âmbito do país, mas no âmbito das cidades. “Devemos voltar às cidades como espaços estratégicos aonde entender a a ordem social atual.” E é nas cidades que arquitetas, arquitetos e urbanistas têm seu principal foco de atuação. Ou seja, mãos à obra!

Abraços,

Ana Gabriela

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Fontes das imagens:

Painel:  http://www.onumulheres.org.br/noticias/seminario-internacional-equidade-de-genero-no-setor-publico-comeca-hoje-56-em-brasilia/

Auditório: facebook “Diálgos Nórdicos”

Selfie e apostila: Arquivo próprio

A super-heroína: https://www.facebook.com/dialogosnordicos/photos/rpp.1985495881667351/1987892528094353/?type=3&theater

 

 

 

Projeto Mãe Moradigna – vamos apoiar!!

O Moradigna é um negócio de impacto social de habitação, voltado para prestar serviços de reforma e qualificação de casas para famílias de classes C e D.

O Projeto Mãe Moradigna vai presentear uma mãe com uma reforma em sua casa. Você pode apoiar oferecendo uma contribuição a partir de 5,00!

É um projeto lindo, se cada um doar um pouquinho, vai acontecer!

Acesse o link abaixo e contribua!

http://juntos.com.vc/pt/maemoradigna2018

Abraços,

Gabi

 

Coletivo Zaha organiza a 3a “Semana Delas” na FAUMACK

 

 

 

 

 

 

 

O Coletivo Zaha está organizando a 3a Semana Delas na FAUMACK (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie). Terei a felicidade de mediar o encontro com as queridas colegas e amigas Maria Isabel Villac, Viviane Rubio e Larissa Ferrer Branco.

Obrigada pelo convite e pela oportunidade minhas queridas do Zaha!!

Abraços

Ana Gabriela

O encontro como elemento essencial da criação arquitetônica e artística.

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Será que o encontro de almas é a marca das grandes criações arquitetônicas e artísticas?

Nesta última terça-feira, 20 de Setembro, tive o prazer de falar sobre a Casa Eames, o trabalho em duplas e outras histórias de criações compartilhadas em uma palestra na sede da ATEC Cultural.

Nesta palestra explorei um pouco uma questão que há tempos vem me interessando desde a época de meu mestrado em que falei sobre as Arquitetas na América Latina do Século XX.

(O mestrado virou livro e foi publicado em 2013. Você pode baixar o e-book gratuitamente clicando aqui).

O papel do encontro das almas, do prazer de conversar, e projetar, com alguém que inspira, instiga ou provoca.

Comecei lembrando de uma dupla curiosa. A pioneiríssima arquiteta norte-americana Julia Morgan e o magnata das comunicações nos Estados Unidos do início do Século XX, William Randolph Hearst.

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Morgan foi quem deu estrutura e forma para os sonhos cada vez mais grandiosos e fantasiosos de Hearst. À medida em que ela projetava e construía, ele sonhava e demandava dela cada vez mais. Um foi para o outro combustível e motor da criação do inacreditável Hearst Castle, hoje aberto à visitação pública.

Outra dupla sobre a qual falei foi Eileen Gray e Jean Badovici. Contam as histórias sobre Gray que ela apenas criou confiança o suficiente para lançar-se na arquitetura aos 48 anos. Dentre outros fatores contou de modo decisivo o apoio de seu então parceiro na época, o crítico de arquitetura Badovici. Desta união nasceu a famosa casa E1027.

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O diálogo entre Gray e Badovici é a própria ilustração do argumento que construí para essa palestra. Veja que inspirado esse trecho, publicado em Architecture Vivante:

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Por fim, a fertilíssima colaboração entre Ray e Charles Eames. Juntos tornaram-se o casal de arquitetos e designers referência nos Estados Unidos das décadas de 40 e 50. O projeto da Case Study House 8, mais conhecida como a Casa Eames, tornou-se a ilustração do morar moderno dos tempos pós-guerra, atual até hoje.

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O casal passou o resto da vida morando na casa, que se manteve preservada até os dias de hoje.

(Agora é possível visitá-la por U$10,00, mas apenas espiar por fora, o que é uma pena.)

Para mim, o que fica é a convicção de que, pelo menos nos casos destas três duplas e suas grandes criações, o elemento criativo fundamental foi o encontro, a inspiração e as possibilidades que um inspirou no outro.

Como experiência, foi simplesmente adorável falar para um público de cerca de 60 pessoas, acomodado no espaço mais que agradável da ATEC cultural, com direito à poltrona Eames e várias outras peças de mobiliário de design assinadíssimo que a ATEC comercializa no Brasil.

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Na foto, minutos antes de começar, estou conversando com a curadora do evento e querida amiga, Ethel Leon. Vale a pena ficar atento às palestras que ela organiza às terças a noite no espaço da ATEC cultural!

Abaixo, o cartaz de divulgação

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Em ação, falando das casas inspiradas por encontros inspiradores…

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No final, missão cumprida, fotinho com as queridas alunas e plateia!

E abaixo, os bastidores de preparação da palestra, minutos antes de fechar o arquivo. Conversa e companhia inspiradora das amigas arquitetas, Cecília Rodrigues dos Santos e Cláudia Stinco!
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No mais, queridas e queridos, o blog continua em reforma. Deve voltar daqui a algum tempinho, mais bonito, organizado e inspirador!

Enquanto isso, de vez em quando vou postando algumas novidades e inspirações!

Abraços

Ana Gabriela

Fontes das imagens:
– Casa Eames: https://archtech260.files.wordpress.com/2013/10/130807_eames_house_02_large.jpg
– Casal Eames: http://www.essenciamoveis.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/09/charles-e-ray-eames.jpeg
– Julia Morgan e William Randolph Hearst: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/1/14/Hearst_and_Morgan.jpg
– Hearst Castle: http://www.mksdarchitects.com/wp-content/uploads/2013/10/Julia-Morgan-Hearst-Castle.jpg
– Jean Badovici e Eileen Gray e a casa E1027: http://www.capmoderne.com
– Capa da revista Architecture Vivante: capmoderne.com
– Trecho do texto de Gray: Review Author(s): Ricki Sablove / Review by: Ricki Sablove / Source: Woman’s Art Journal, Vol. 30, No. 2 (FALL / WINTER 2009), pp. 52-53 Published by: Old City Publishing, Inc. Stable URL: http://www.jstor.org/stable/40605304 – Accessed: 24-09-2015 14:44 UTC
– Interior da casas Eames: http://www.clickinteriores.com.br/wp-content/uploads/2015/06/lahouse-64926223-23183833.jpg
– Casal Eames e modelo: http://www.loc.gov/exhibits/eames/images/vc9616.jpg
– Fotografias do evento: Cecília Rodrigues dos Santos e Renata Targino

Chamada de Trabalhos – BAc: Revista de Investigación y Arquitectura Contemporánea

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Aos queridos leitores que trabalham com pesquisa na área de arquitetura, artes e design!

Na qualidade de co-editora da Revista de Pesquisa e Arquitetura Contemporânea da Escola Técnica Superior da Coruña, Espanha, tenho o prazer de informar que estamos recebendo artigos completos até o dia 31 de Outubro de 2015.

Os artigos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Para informações sobre a submissão do artigo: http://www.boletinacademico.com/index.php/BAC

O tema desta edição é: “Conexões”. Entendemos que a arquitetura contemporânea tem acolhido, cada vez mais facilmente, contribuições das mais variadas disciplinas. A expansão do âmbito do trabalho arquitetônico conduz à desmaterialização de suas antigas fronteiras. Abrem-se novos campos de conhecimento que abrangem desde as ciências puras – como a matemática, a física e a química – até aspectos sociológicos, antropológicos ou históricos. Além disso, o projeto de arquitetura se nutre das várias disciplinas artísticas em seu processo criativo.

A edição número 6 do BAc dedica atenção à análise das CONEXÕES que a arquitetura maneja no desenvolvimento de cada projeto. Para tanto, contará com artigos de pesquisa, entrevistas, crítica e resenhas de livros.

Abraços a todos!

Ana Gabriela

Um corpo que pode dançar: Lia Rodrigues dos Santos

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Lia Rodrigues dos Santos

O lindo trabalho da Companhia de Danças de Lia Rodrigues dos Santos, criadora de possibilidades de sonhar outros futuros para adolescentes e jovens da Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

“Eu não digo que tenho um corpo de dança…não… eu tenho um corpo que pode dançar.”

Raquel Alexandre David Silva, aluna do Núcleo de Formação da Escola Livre de Dança da Maré

O documentário mostra o desenvolvimento de uma atividade de ensino, em que os alunos são ao mesmo tempo criadores e intérpretes da própria dança.

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Adeus Tomie Ohtake…

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Faleceu hoje em São Paulo, aos 101 anos, a artista plástica Tomie Ohtake. Nascida em Kyoto, Japão, em 1913, o destino reservaria para Tomie o papel de eminente paulistana, ou ainda, como a chamaria Agnaldo Farias, “a primeira dama da arte brasileira”.

Dentre tantas outras, são dela as lindas esculturas curvas na Avenida 23 de Maio, homenagem aos 80 anos de imigração japonesa no Brasil;

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Os painéis que representam as quatro estações do ano no metrô Consolação;

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A escultura em forma de onda vermelha no Auditório Ibirapuera;

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E a minha preferida, a tapeçaria do auditório do Memorial da América Latina, infelizmente danificada no incêndio de 2013.

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Para relembrar a beleza e força de sua trajetória artística, vale a pena reler o excelente trabalho de Ana Paula Cavalcanti Simioni, “Tomie Ohtake”, da Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros.

Ana Paula pondera:

“Tomie é uma artista de trânsitos entre tendências e grupos artísticos, com os quais dialoga, mantendo sua autonomia. Trânsitos também entre mundos e culturas diversos, que ela sintetiza de maneira inovadora em seus trabalhos. Tais seinteses, porém, são sempre provisórioas, pois cada nova obra ou fase constitui antes um ponto de partida para novos desafios do que o final de um processo.”


Fontes das imagens:

1. http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/wp-content/uploads/2015/02/tomie-ohtake.jpg

2. http://www.salailustrada.com.br/Content/images/Blog/Galeria/00a—tomie—80-anos-da-imigracao-japonesa-bdadd538-f388-4bd1-b71e-c07f83b5a44c.jpg

3. http://blogs.artinfo.com/brazilnews/files/2013/02/metro_TOP.jpg

4. https://miliauskasarquitetura.files.wordpress.com/2011/08/auditc3b3rio-ibirapuera.jpg

5. http://s2.glbimg.com/K6WhWvMP9b4Jd3cOiAXgNuUGbrs=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/11/29/tomie-ohtake-1989-memorial-da-america-latina-sao-paulo.jpg

Feliz Aniversário Lou Andreas-Salomé: a primeira psicanalista

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Lou Salomé talvez seja mais conhecida por meio daqueles que a elegeram como musa. Rainer Maria Rilke dedicou a ela seu “Livro de Horas”. Friedrich Nietzsche inspirou-se nela ao escrever “Assim Falava Zaratustra”. Freud escreveu-lhe, após conhecerem-se em um congresso: “Na expectativa de que um dia eu possa ter a oportunidade de conversar com você em particular”.

Lou Andreas-Salomé, nascida Luíza Gustavovna Salomé, nasceu em São Petersburgo, Rússia, em 12 de Fevereiro de 1861. Foi poeta, ensaísta e intelectual de brilho próprio, mas talvez seu principal feito tenha sido criar uma trajetória própria para si, impensável para a maioria das mulheres de sua geração.

Salomé conheceu Freud em 1911, no Congresso Psico-analítico de Weimar. Após o que tornou-se sua discípula, musa e par intelectual, discutindo seus trabalhos e casos de pacientes, além de preocupações em comum como o narcisismo, métodos de trabalho e a psicologia do artista.

Escreveu o primeiro estudo feminista sobre as mulheres de Ibsen, e um estudo sobre a obra de Nietzsche. Barbara Kraft ponderou que Salomé, durante sua vida (1861-1937), presenciou “o fim da tradição romântica e se tornou parte da evolução do pensamento moderno, que frutificou no século XX. Salomé foi a primeira ‘mulher moderna’. A natureza de suas conversas com Nietzsche e Rilke antecipou a posição filosófica do existencialismo. E, por seu trabalho com Freud, ela figurou com destaque na evolução inicial e na prática da teoria psicanalítica.”

Sobre a importância de Salomé como referência feminina, Kraft coloca:

“A princípio, eu a vi como heroína – como merecedora do culto do herói, no que esse culto tem de mais positivo. As mulheres sofrem hoje, tremendamente, da falta de identificação com uma figura feminina heróica”.

Para nós, mulheres ligadas à arquitetura e ao design, Lou Salomé é uma referência de criação da própria trajetória de vida, de projeto e construção de si mesma, de experimentação e risco. Seu trabalho é fundamentalmente o de uma criadora: da possibilidade de afirmação do indivíduo, se sua abertura para o outro e para o mundo.

Ana Gabriela Godinho Lima

A imagem de Salomé que ilustra esse post foi encontrada no site da revista francesa: Philosophie Magazine. Confira no link

http://www.lyslydia.fr/portfolio/lou-andreas-salome/#!prettyPhoto

a coleção de imagens criadas pela ilustradora Lys Lydia interpretando momentos-chave da vida de Salomé.

A imagem da capa do livro foi encontrada em: http://www.brainpickings.org/2015/02/12/lou-andreas-salome-sigmund-freud-letters/

Abaixo, as referências que utilizei para esse post:

http://www.philomag.com/

http://www.philomag.com/les-idees/grands-auteurs/lou-andreas-salome-3814

brainpickings.org

http://www.brainpickings.org/2015/02/12/lou-andreas-salome-sigmund-freud-letters/

http://eternamentelou.blogspot.com.br/

http://en.wikipedia.org/wiki/Lou_Andreas-Salom%C3%A9

Criatividade e “Androginia Psicológica” – porque mulheres e homens projetam de modo semelhante

As arquitetas e designers entrevistadas em nosso projeto “Feminino e Plural” não apresentaram uma “narrativa feminina” quando falaram de seus projetos. Suas falas articulavam ao mesmo tempo preocupações técnicas, construtivas, objetivas – frequentemente associadas ao comportamento masculino – com preocupações com a vida quotidiana dos usuários, as crianças, os detalhes – tidos em geral como características femininas. Uma de nossas conclusões foi de que o processo de projeto, tal como narrado por suas autoras, não parece ser orientado por uma “consciência de gênero”, mas antes, articular aspectos masculinos e femininos.

Na obra fundamental sobre criatividade: “Creativity: the psychology of discovery and invention” (Criatividade: a psicologia da descoberta e invenção), o pioneiríssimo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi (Public Library) sustenta que:

“Em todas as culturas, os homens são educados para ser ‘masculinos’ e ignorar e reprimir aquilo que a cultura chama de ‘feminino’, enquanto que espera-se das mulheres que comportem-se de modo oposto. Indivíduos criativos, até certo ponto, escapam esse rígido estereótipo de gênero”.

O trecho acima foi retirado da resenha que Maria Popova acaba de publicar em seu excelente blog “brainpickings.org” sobre a obra. A autora ainda destaca o trecho em que o autor descreve os resultados de suas entrevistas com 91 indivíduos que mostraram grande criatividade em vários campos, como a astronomia, a sociobiologia, filosofia, etc…

“Era óbvio que as mulheres artistas e cientistas tendiam a ser muito mais assertivas e auto-confiantes, e abertamente agressivas do que as mulheres são educadas para ser em nossa sociedade. Talvez a evidência mais notável de ‘feminilidade’ nos homens dentre os selecionados fosse sua maior preocupação com sua família e a sensibilidade a aspectos sutis de seus ambientes do que os homens que tendem a considerar esses aspectos irrelevantes. Mas, a despeito dessas características, que não são usuais para seus gêneros, esses indivíduos retinham ao mesmo tempo características típicas de seus gêneros”.

Para saber mais a respeito, visite o blog de Maria Popova: brainpickings.org!

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