Mulheres mais influentes no mundo da arte na Europa

Contribuição de Cecilia Rodrigues dos Santos

Conforme o site Mapa das Artes (http://mapadasartes.com.br/index.php), o “portal de arte Artnet (http://news.artnet.com) divulgou em maio uma lista das 25 mulheres mais influentes na arte na Europa”. São elas:

Beatrix Ruf
Após 13 anos no comando do Kunsthalle Zurich, Beatrix Ruf vai assumir o Amsterdam’s Stedelijk Museum a partir do outono europeu. Conselheira do grande colecionador Michael Ringier, ela é conhecida como importante observadora de jovens talentos. A lista de exposições que ela supervisionou em Zurique deixa isso claro, com a exibição de obras de artistas como Wihelm Sasnal, Carol Bove e Keren Cytter. Ela também foi responsável pela mudança em 2012 do Kunsthalle’s para o Löwenbräu, bairro de Zurique que é sinônimo de arte.

Esther Schipper
Desde que abriu seu primeiro espaço em 1989, Esther Schipper foi fundamental no desenvolvimento da carreira de importantes nomes da arte mundial, entre eles Liam Gillick, Dominique Gonzalez-Foerster, Thomas Demand, Philippe Parreno e Pierre Huyghe. Ela foi cofundadora e atuou no desenvolvimento da programação do Berlin’s Gallery Weekend. Famosa pela seu forte relacionamento institucional, ela foi decisiva na organização das mostras de Parreno e Huyghe no Palais de Tokyo e Centre Pompidou no outono passado – a última dessas mostras está atualmente em cartaz no Museum Ludwig de Colônia (Alemanha) e seguirá para o LACMA (Los Angeles / EUA) ainda neste ano.

Patrizia Sandretto Re Rebaudengo
Foi uma viagem para Londres em meados dos anos 1990, sob orientação de Nicholas Logsdail (Lisson Gallery; Londres), que colocou Patrizia Sandretto Re Rebaudengo no rumo de se tornar uma das mais influentes colecionadoras de arte da Europa. Fundada por ela em 2002, a Fondazione Sandretto Re Rebaudengo é uma das marcas da arte contemporânea na Itália. Ela também atua no desenvolvimento de uma nova geração de curadores por meio de um programa de treinamento curatorial, realizado em uma casa de campo do século 18 pertencente à família de seu marido, o Palazzo Re Rebaudengo. Uma seleção de obras de sua coleção está atualmente em exibição na me Collectors Room, em Berlim.

Monika Sprüth e Philomene Magers
Antes grandes galeristas de Colônia (Alemanha) atuando individualmente, Monika Sprüth e Philomene Magers uniram forças em 1998 e transferiram os negócios para Berlim e Londres. A união do foco de Monika em artistas mulheres (como Rosemarie Trockel, Jenny Holzer e Cindy Sherman) com o interesse de Philomene por estrelas da arte pós-guerra e contemporânea (como John Baldessari, Donald Judd e Ed Ruscha) resultou em uma das mais importantes galerias de arte com “olhos de águia”.

Sadie Coles
Sadie Coles é da mesma geração dos Young British Artists (Jovens Artistas Britânicos). Ela abriu sua primeira galeria em 1997, com Sarah Lucas no elenco, e desde então trabalha com a artista que vai representar a Grã-Bretanha na Bienal de Veneza em 2015. Mas os interesses dela estão longe de ser em apenas um artista britânico. Urs Fisher, Sam Durant e Raymond Petitbon são somente alguns dos pesos-pesados com quem ela trabalha.

Susanne Gaensheimer
Diretora do Museu de Arte Moderna de Frankfurt desde 2009, Susanne Gaensheimer ganhou reconhecimento internacional pela curadoria do pavilhão alemão na Bienal de Veneza de 2011, que ganhou o Leão de Ouro com a exposição póstuma de Christoph Schlingensief. Em 2013, ela também foi a responsável pelo pavilhão alemão na Bienal, no qual exibiu obras de Ai Weiwei, Romuald Karmakar, Santu Mofokeng e Dayanita Singh.

Maja Hoffmann
Herdeira do grupo farmacêutico F. Hoffmann – La Roche, Maja Hoffmann é frequentemente descrita como colecionadora, mas ele prefere considerar-se uma “facilitadora”. E ela está em vias de “facilitar” ou “possibilitar” as coisas em uma escala sem precedentes, por meio de sua fundação LUMA. Ela está à frente do Parc des Ateliers, um grande complexo criativo em Arles, no sul da França. Com custo estimado de 150 milhões de Euros, será o maior do gênero na Europa. Ela também é presidente do Kunsthalle Zurich, vice-presidente da fundação Emanuel Hoffmann (na Basiléia) e membro do conselho do New Museum e da Tate de Londres.

Francesca von Habsburg
Catalisadora de vários projetos aclamados pela crítica, como o pavilhão austríaco de Matthias Poledna na Bienal de Veneza de 2013, projetos da produção recente de Ragnar Kjartanson e a instalação “The Murder of Crows” (“O Assassino de Corvos”), de Cardiff e Miller, entre tantos outros, a colecionadora Francesca von Habsburg dá continuidade à tradição familiar de patrocínio da arte, com foco no contemporâneo. Seu pai, Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, fundou o museu homônimo em Madri. Baseada em Viena, seu museu privado e sua fundação, Thyssen-Bornemisza Art Contemporary (TBA21), na cidade de Augarten, tornou-se um local agitado desde que foi fundado, na última década.

Anita Zabludowicz
Anita Zabludowicz é uma colecionadora e mecenas de olhar afiado nos talentos emergentes. A Zabludowicz Collection’s London, hospedada em uma antiga capela metodista, é obrigatória para quem quer sentir a pulsação da arte. A coleção também tem sedes em Nova York e em Sarvisalo (Finlândia), onde artistas como Michael Dean, Andy Holden e Laura Buckley foram convidados recentemente para residências.

Caroline Bourgeois
Potência da prestigiada Pinault Foundation, Caroline Bourgeois trabalhou primeiro para o guru de luxo francês entre 1997 e 2001organizando a coleção de vídeo dele. Após ser diretora-artística do Le Plateau, ingressou na Pinault Foundation em 2008 e desde então é responsável por algumas das grandes exposições da coleção, em locais como Garage (Moscou) e Palazzo Grassi (Veneza).

Ingvild Goetz
Ex-galerista, Ingvild Goetz dedica-se integralmente ao colecionismo desde o início dos anos 1980, quando começou a reunir uma das maiores coleções do mundo de media art, mantida em um dos primeiros e mais icônicos museus construídos pelos arquitetos Herzog e de Meuron. Assim, ela inspirou uma nova geração de colecionadores, tentados pelas possibilidades oferecidas pela videoarte. Ingvild Goetz doou sua coleção para o Estado da Bavaria no ano passado, mas isso não a manteve fora do mapa da arte mundial. Ela continua “sobrevoando” pela cena europeia (e, ouve-se dizer, comprando) com toda força.

Jennifer Flay
Nascida na Nova Zelândia, Jennifer Flay também foi uma talentosa galerista em Paris antes de assumir a direção artística da FIAC em 2004. Sob a liderança dela, a feira de arte parisiense tornou-se um importante evento do calendário internacional. Há quem diga que a FIAC já ultrapassa a rival Frieze, de Londres, e a feira continua crescendo. A FIAC recentemente anunciou a criação de uma nova feira, (OFFI)CIELLE, com inauguração em outubro e também dirigida por Jennifer Flay. Em 2015, Los Angeles também receberá uma versão da FIAC.

Julia Peyton Jones
Julia Peyton Jones é um nome que deve ser levado em conta. Desde 1991na liderança da Serpentine Gallery, de Londres, ela transformou o então modesto local de exposições em um espaço icônico. Em 1998, liderou um projeto (de 4 milhões de libras esterlinas) de renovação do espaço e triplicou o número de visitantes. Mais recentemente, criou um anexo, projetado por Zaha Hadid. É uma dedicada defensora da arquitetura experimental, que ela vem promovendo por meio de encomendas do Serpentine Pavillion desde 2000.

Victoria Miro
Verdadeira grande dama do cenário da arte de Londres, Victoria Miro foi fundamental no desenvolvimento da carreira de artistas como Peter Doig, Chris Ofili e Yayoi Kusama. Ela abriu sua primeira galeria na Cork Street em 1985, no entanto é mais conhecida por ser uma das primeiras grandes galeristas que se transferiram para o East End em 2000. Ela também abriu um segundo espaço no centro de Londres em maio do ano passado, acompanhando o renovado foco da capital londrina no tradicional centro de arte da cidade (Mayfair e St. James).

Maike Cruse
Ex-chefe de imprensa da Art Basel, Maike Cruse assumiu a Art Berlin Contemporary dois anos atrás, alterando o antigo formato curatorial do evento para um modelo de exposições individuais. Neste ano, ela também atuará na edição do aniversário de 10 anos da Gallery Weekend (Berlim).

Maureen Paley
Americana radicada em Londres, Maureen Paley foi uma das primeiras pessoas a apresentar arte contemporânea no East End, no início dos anos 1980. Desde então, ela é muito influente, nutrindo a carreira de artistas como Wolfgang Tillmans, Gillian Wearing e Liam Gillick. Voz muito respeitada, é também patrona das artes, apoiando instituições como Whitechapel Gallery e Tate.

Bice Curiger
Atualmente dirigindo a recém-inaugurada Van Gogh Foundation, em Arles, na França, Bice Curiger é uma das fundadoras da revista “Parkett” e diretora editorial da Tate Etc. Também foi curadora da Kunsthaus Zurich por quase 20 anos, a partir de 1993. Em 2011, foi curadora da Bienal de Veneza, intitulada por ela como “Illuminations”.

Suzanne Pagé
Suzanne Pagé atuou de 1988 a 2006 como diretora do Musee d’Art Moderne de la Ville de Paris. Foi curadora do pavilhão francês da Bienal de Veneza de 1986, que ganhou o Leão de Ouro. Foi escolhida para dirigir o novo museu LVMH, em Paris, com abertura prevista ainda para este ano.

Christine Macel
Curadora-chefe do Musee National d’Art Moderne – Centre Pompidou desde 2000, Christine Macel também foi curadora do pavilhão francês da Bienal de Veneza de 2013 e conselheira de curadoria da Dublin Contemporary 2011.

Iwona Blazwick
Diretora da Whitechapel Art Gallery desde 2003, Iwona Blazwick supervisionou o ambicioso projeto que duplicou o espaço da mais querida instituição do East End de Londres. Ela vem mantendo seu poder há décadas: primeiro, no ICA, onde apresentou a primeira exposição do então jovem Damien Hirst, em 1992; e depois na Tate, onde foi chefe de exibições, envolvida de perto no lançamento da Tate Modern em 2000.

Maryam Eisler
Colecionadora, patrona, autora e editora, Maryam Eisler vem escrevendo sobre arte contemporânea iraniana e turca para várias revistas internacionais e para catálogos, além de ter trabalhado em vários livros. É copresidente da Tate’s Middle East e do North Africa Acquisitions Committee, além de cofundadora do British Museum’s Contemporary e do Modern Middle East Acquisitions Committee.

Katerina Gregos
Desde que assumiu o comando da Art Brussels dois anos atrás, Katerina Gregos promoveu inovações na feira, apresentando novos colecionadores, galerias e artistas. Durante muitos anos, várias galerias se distanciaram de Bruxelas e preferiram feiras da primavera como a ARCO de Madri e a Art Cologne, mas agora muitos deles estão retornando à Art Brussels.

Karen Boros
Tendo já trabalhado em galerias e como diretora VIP da Art Basel, Karen Boros (nascida Lohmann) comanda o Boros Bunker, junto com seu marido Christian Boros. Consistentemente lotado desde a abertura em 2008, o Bunker tornou-se um local decisivo para as tendências do circuito de Berlim. Karen Boros é um tipo de executiva tranquila, encabeçando as aquisições e conduzindo a cena de arte em Berlim.

Andrea Rose
Diretora de Artes Visuais do British Council desde 1994, Andrea Rose supervisionou diversos pavilhões britânicos da Bienal de Veneza, aclamados pela crítica, como os de Tracey Emin, Steve McQueen e Mike Nelson, que tiveram filas enormes nos Giardini. Também é presidente do comitê de seleção da Bienal de Veneza (de Arte e de Arquitetura), assim como representante britânica da UNESCO Cultural Commission.

Sarah McCrory
Atualmente dirigindo o Glasgow International Festival of Visual Art, Sarah McCrory atuou anteriormente como curadora da Frieze Projects and Films. É conhecida pelo seu trabalho com artistas jovens, emergentes e sem representação. Ela integra o júri do Prêmio Turner 2014.

Entre as artistas mais caras, reunidas a partir do levantamento no Artnet Analytics de recordes em lotes individuais em leilões, algumas são pintoras abstratas, algumas figurativas, outras usam a fotografia ou misturam mídias e há também quem teve um surpreendente retorno de popularidade em leilões após décadas de relativo esquecimento. Ao menos uma delas está nesse radar pela magistral transição que fez das plataformas das artes visuais para as mídias sociais, e ela não é da Geração Y. Ao menos uma já esteve anteriormente nessa lista de artistas mais caras.

1. Cady Noland
Quando a obra “Oozewald” (1989; foto), de Cady Noland, foi vendida na Sotheby’s de Nova York em 2011 por U$ 6,6 milhões (ultrapassando o triplo da menor estimativa de U$ 2 milhões e batendo o recorde anterior da artista, de U$1,8 milhão), foi quebrado o recorde de maior preço já pago em leilão pelo trabalho de uma artista viva. Isso também garantiu a ela um lugar na lista dos 10 Mais Caros Artistas Americanos Vivos. “Oozewald”, em tinta de serigrafia sobre placa de alumínio, é um retrato em preto-e-branco do assassino de Kennedy, Lee Harvey Oswald, sendo atingido por tiros. Ele está amordaçado com uma bandeira americana e seu corpo tem buracos brancos que evocam feridas de tiros. A obra capta o espírito do trabalho da artista, que frequentemente aborda a quebra da ilusão do “american dream” (sonho americano). Essa quebra da ilusão é também abordada em “Gibbet” (1993-1994), vendida por U$ 1.762.500 na Sotheby’s de Nova York em 2010. Cady Noland (1956) é filha do pintor Kenneth Noland (do movimento Color Field). Ela também foi notícia em 2011 quando se negou a vender “Cowboys Milking” (1990), uma serigrafia sobre folha de alumínio que sofreu danos, ocasião em que a Sotheby’s teve de retirar a obra de leilão.

2. Marlene Dumas
Se essa lista fosse feita em 2005, Marlene Dumas estaria no topo. Naquele ano, ela foi manchete ao encabeçar a relação das mais caras artistas vivas, quando a pintura “The Teacher (sub a)” (1987) – um retrato feito de uma imagem de classe de sua infância na África do Sul – foi vendida por U$3,3 milhões. Em 2008, ano da primeira exposição da artista nos Estados Unidos (aberta no MOCA de Los Angeles e depois apresentada também no MoMA de Nova York), o preço de trabalhos dela em leilões alcançou um novo recorde com a venda na Sotheby’s de Londres da obra ” The Visitor” (1995), uma pintura à óleo de um grupo de strippers esperando com expectativa olhando para uma porta aberta. As pinturas de Marlene Dumas geralmente têm temas moribundos e frequentemente retratam pessoas afogadas e enforcadas ou bebês com as mãos ensanguentadas. Têm um subtexto de pesadelo devido às características políticas do ambiente em que ela viveu (a artista de 60 anos cresceu durante o Apartheid). Cruéis como são, os trabalhos dela chamaram a atenção do galerista David Zwirner que, em 2008, após anos cortejando-a, finalmente passou a representá-la.

3. Yayoi Kusama
Graças às mídias sociais, a artista japonesa Yayoi Kusama pode agora ser melhor conhecida, isso devido à sensação que ela criou em novembro passado com sua instalação celestial na David Zwirner Gallery: “Infinity Mirrored Room”. Os visitantes enfrentaram até quatro horas de fila para ficar durante 45 segundos em uma sala escura equipada com minúsculas lâmpadas de LED piscando e paredes de espelho que evidenciavam a sensação de flutuação em um cosmos infinito. Mas talvez a marca da artista de 85 anos seja as “Infinity Nets”, pinturas em que a totalidade das telas é preenchida com uma hipnótica rede de pinceladas monocromáticas. Com a venda em 2008 de “Nº 2” (1959), uma das primeiras interações de branco sobre branco das “Infinity Nets”, o recorde de Yayoi Kusama em leilão (que já estava bem estabelecido com 3.463 lotes apregoados) atingiu o ponto mais alto. Vendida por U$ 5,8 milhões, mais que o dobro da menor estimativa pré-venda, a pintura (que já havia pertencido a Donald Judd) foi negociada pelo mais alto preço já pago em leilão pelo trabalho de uma artista viva.

4. Bridget Riley
Nos anos 1960, enquanto trabalhava part-time como ilustradora em uma empresa de publicidade, a artista britânica Bridget Riley começou a desenvolver o estilo Op Art (arte óptica) que se tornaria sua marca. Inicialmente, ela trabalhava com preto-e-branco, mas em 1967 começou a usar cores e criar suas primeiras pinturas de faixas. Um ano depois, representou a Grã-Bretanha na Bienal de Veneza, quando recebeu o prêmio internacional de pintura (foi a primeira mulher e também o primeiro nome da arte contemporânea britânica a vencer o prêmio). “Chant 2” (1967), uma pintura que alterna faixas verticais azuis e brancas, parte do conjunto de três obras apresentadas na Bienal, foi comprada por um colecionador americano em 2008 na Sotheby’s de Londres por U$ 5,1 milhões, superando seu próprio recorde (batido poucos meses antes). Talvez a alta de mercado tenha sido incentivada pela retrospectiva da artista naquele ano no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. Mas em 2006 os trabalhos de Riley já estavam renovando o interesse dos colecionadores, como indica a venda para Jeffrey Deitch de “Untitled (Diagonal Curve)” (1966) por U$2,2 milhões, cerca de quatro vezes a estimativa mais baixa.

5. Julie Mehretu
Nascida na Etiópia em 1970, Julie Mehretu é a mais jovem artista desta lista. A pintura abstrata “Retopistics: A Renegade Excavation” (2001) bateu o recorde da artista quando foi vendido por U$ 4,6 milhões na Christie’s de Nova York em 2013. As pinturas abstratas dela, criadas com camadas de acrílica sobre tela seguidas por marcas de lápis e de tinta e mais camadas de pintura, atingiram seis dígitos em 2006. Foi em 2010, em uma venda de obras da coleção do Neuberger Berman and Lehman Brothers na Sotheby’s de Nova York, que uma das pinturas abstratas dela atingiu pela primeira vez o valor de U$1 milhão. Nesse mesmo ano, o trabalho de Julie Mehretu esteve no centro de uma disputa judicial do colecionador de arte contemporânea Jean-Pierre Lehmann contra a então galeria da artista, a Project Gallery, que não cumpriu um contrato com o colecionador que garantia a ele acesso privilegiado às obras de Julie Mehretu. Em troca de um empréstimo de U$75.000, a galeria ofereceu ao colecionador o direito de preferência para a compra de obras de artistas representados, com 30% de desconto. O caso, vencido por Lehmann, mostrou não apenas que a obra da jovem artista estava com grande demanda, mas também que o dinheiro por si só não pode garante a compra da obra de arte.

6. Cindy Sherman
Quando “Untitled #96”, da americana Cindy Sherman, obra de 1981 que retrata a artista com uma blusa cor de laranja e como uma mulher apaixonada deitada no chão de uma cozinha, foi vendida por U$ 3,9 milhões na Christie’s de Nova York em maio de 2011, mais que dobrando o valor da menor estimativa de U$ 1,5 milhões, o trabalho tornou-se, à época, a mais cara fotografia já vendida em leilões. Até esse momento, o mercado de Cindy Sherman já vinha crescendo durante vários anos. Embora a artista de 60 anos seja pelos críticos uma das mais conhecidas e mais aclamadas artistas atuantes, em leilões ela fica atrás de outros artistas da mesma geração, incluindo Julian Schnabel e Richard Prince (que está na lista dos 10 Artistas Americanos Mais Caros). Mesmo sendo considerada uma “queridinha” em leilões (obras dela foram oferecidas em leilões 1.738 vezes, de acordo com o Artnet Price Database), as fotografias conceituais encenadas pela própria artista bateram a marca de U$ 1 milhão somente em 2007 com a venda de “Untitled Film Still no. 48” (1979), uma imagem em branco-e-preto em que Cindy Sherman pede carona em uma estrada deserta.

7. Jenny Saville
Os enormes e inquietantes nus femininos de Jenny Saville chamaram muito a atenção para a artista durante os anos 1990, quando ela era associada ao grupo Young British Artists (Jovens Artistas Britânicos). Nascida em 1970, Jenny Saville é conhecida principalmente pelas suas pinturas de grandes formatos de nus femininos, algumas delas retratando mulheres obesas, com seus corpos marcados da forma como ocorre antes de cirurgias de lipoaspiração. “Plan” (1993), um bom exemplo desse tipo de trabalho, é também a pintura dela recordista em leilão. Embora a artista esteja na cena artística há anos, a primeira exposição individual dela na Grã-Bretanha só ocorreu em 2012. E o interesse pelo trabalho dela parece estar crescendo. Em fevereiro passado, “Plan” foi vendida por U$ 3,5 milhões na Christie’s de Londres, por mais que o dobro da menor estimativa de U$1,3 milhões.

8. Vija Celmins
A artista americana (nascida na Letônia) Vija Celmins é conhecida pelas laboriosas pinturas e desenhos inspirados na natureza, como a superfície da lua, céus noturnos e o interior de conchas. Suas imagens, na fronteira entre o realismo fotográfico e a abstração, tendem a ser suas obras mais populares em leilões, incluindo “Night Sky #14” (1996-1997), pintura em óleo sobre linho com a qual o recorde da artista foi estabelecido na Christie’s de Nova York em 2013, quando foi vendida U$ 2,4 milhões. De Vija Celmins, artista de 75 anos, que tem mais de 40 exposições no currículo desde 1965 e que tem trabalhos no Art Institute of Chicago, The Metropolitan Museum of Art e The National Gallery of Art de Washington DC, entre outras instituições, “Night Sky #14” é apenas o terceiro trabalho dela vendido por mais de U$1 milhão e isso pode indicar que esse recorde em leilão está aumentando a aclamação institucional da artista.

9. Beatriz Milhazes
O interesse pelas pinturas de vívidos caleidoscópios da brasileira Beatriz Milhazes vem aumentando desde que ela foi convidada a participar em 1995 da Carnegie International, em Pittsburgh. Mas foi no leilão Contemporary Art Day da Sotheby’s de Nova York, em maio de 2008, no qual a obra “O Mágico” (2001) foi vendida por U$1,1 milhão (mais que quadruplicando a menor estimativa de U$ 250.000), que o interesse parece ter atingido proporções maiores. Depois disso a marca foi ultrapassada outras seis vezes. O mais caro deles foi “Meu Limão” (2000), um trabalho vendido na Sotheby’s de Nova York em novembro de 2012 por U$ 2,1 milhões (triplicando a menor estimativa, de U$700.000). Embora os trabalhos dela tenham participado de leilões somente cerca de 80 vezes, por volta de 35 deles foram vendidos a preços de seis dígitos. Ganhando um aumento de interesse e solidificando sua reputação mundial nos últimos dez anos, Beatriz Milhazes, nascida em 1960, representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2003; teve em 2009 uma exposição na Fundação Cartier, em Paris; e também teve várias proeminentes obras públicas comissionadas no Reino Unido, incluindo uma grande instalação ao longo de arcadas de uma estação do metrô de Londres. Enquanto o interesse aumenta, a oferta é, como sempre, limitada. A artista tem um meticuloso trabalho de aplicação de tinta sobre folhas plásticas e depois transfere o pigmento para a tela resultando em uma superfície lisa, sem texturas, que não mostram os sinais das mãos da artista.

10. Lee Bontecou
2003 foi um bom ano para Lee Bontecou. Em dois dias consecutivos, a artista de 83 anos surpreendeu os frequentadores de leilões batendo seu recorde duas vezes. Primeiro, em 11 de novembro na Christie’s de Nova York, o trabalho em aço soldado “Untitled” (1960) foi vendido por U$ 298.700, cerca de seis vezes o valor da menos estimativa, de U$ 50.000. No dia seguinte, na Sotheby’s, outra obra em aço soldado, “Untitled” (1959-1960), “explodiu” após sua baixa estimativa pré-venda, que era de U$ 50.000, atingindo quase dez vezes esse valor: U$ 456.000. Talvez auxiliada, em parte, pela sua retrospectiva naquele ano coorganizada pelo Hammer Museum e o Art Institute of Chicago, a artista que vinha vivendo em relativo esquecimento na Pensilvânia, ganhou de novo os holofotes. Suas sinistras esculturas soldadas (cobertas com lona reciclada) de 1959 e 1960, que parecem invocar, com todas suas carapaças/armaduras insectóides, visões distorcidas do futuro, são suas obras mais conhecidas e continuam tendo os preços mais altos em leilões. O recorde da artista é mantido por “Untitled” (1962), vendida na Christie’s de Nova York por U$ 1,9 milhões em 2010. E com todo o papo em volta do 50° aniversário da World’s Fair, a escultura da artista no teatro David H. Koch, no Lincoln Center, que foi comissionada quando os prédios do local foram construídos para a World’s Fair de 1964, é com certeza oportuno e uma boa maneira de conferir o trabalho de Lee Bontecou.

* Texto reproduzido a partir das notícias do site Mapa das Artes. Para ver a postagem original clique aqui: http://mapadasartes.com.br/noticias.php?id=1167&pg=5

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